quarta-feira, 6 de março de 2013

A vinda da droga para Santa Catarina


            Noventa e nove por cento da droga que chega a Santa Catarina tem origem nos países limítrofes. Os dados, divulgados pela Diretoria Estadual de Investigações Criminais (Deic) revelam que o entorpecente provém, principalmente, do Paraguai, Peru, Colômbia e Bolívia.  No Brasil, a droga chega por meio das fronteiras, sendo Foz do Iguaçu, no Paraná, o principal caminho para a entrada da droga ilícita.
Em Santa Catarina, o crack chega de formas diferentes. De acordo com Cláudio Monteiro, delegado da Divisão de Repressão a Entorpecentes (DRE), os vários tipos de drogas são trazidos por ‘mulas’, como são conhecidos as pessoas que transportam drogas, na fronteira Brasil-Paraguai.
O delegado, que já atua na profissão há 10 anos, cita alguns casos de apreensões de crack feitas no Estado. “Já pegamos pessoas que tinham ingerido cápsulas de drogas. Elas ficam no estômago e depois são expelidas pelas fezes”.
Outra forma de passar pela fronteira portando maconha, cocaína, crack ou outro tipo de entorpecente, ainda segundo o delegado Monteiro, é dentro dos caminhões. “Apreendemos grandes quantidades de drogas dentro de carros e caminhões. Geralmente, elas são encontradas dentro de compartimentos de veículos ou embaixo do estofado e bancos”. Quando um veículo é suspeito, sabemos os lugares onde procurar. Não tem erro”, relata ele.
No mês de setembro, um jovem de 24 anos foi preso no Terminal Rodoviário Rita Maria, no centro de Florianópolis, com cocaína, que é a base do crack. O delegado da DRE relata que, em Santa Catarina, o crack chega na forma de pasta de cocaína. “Com o Diego, encontramos a droga engomada em peças de roupa. Desconfiamos da rigidez das peças e com o uso de um reagente, a cocaína foi identificada.”.
Em Santa Catarina, os municípios que registram o maior número de apreensões de crack e outras drogas são Florianópolis, São José, Joinville, Palhoça, Blumenau, Criciúma, Itajaí, Lages e Chapecó.
Na Capital, o Maciço do Morro da Cruz, o bairro Tapera e a Favela do Siri são os principais pontos do tráfico. “Esses são apenas os locais com mais registros de traficantes e usuários, mas atualmente nenhum bairro de Florianópolis está livre de qualquer tipo de droga, seja maconha, crack ou cocaína. Em alguns locais têm menos, outros mais, mas todas tem a compra e a venda de baseados, pó ou pedra”, explica Monteiro.


As apreensões
Em 2011, a Secretaria de Segurança Pública do Estado de Santa Catarina, divulgou dados referentes às drogas. Foram 4.289 pessoas apreendidas por posse de drogas e 3.920 foram enquadradas por tráfico. Já em 2012, até o mês de setembro, os números diminuíram. Houve cerca de 3.330 apreensões por posse e pouco mais de três mil por tráfico de drogas.
Florianópolis foi o município onde o maior índice foi registrado, seguido por São José e Blumenau. Penha, no Norte do estado, foi a cidade catarinense com maior redução de traficantes detidos pela polícia, seguido por Itajaí e Tijucas, na Grande Florianópolis. O número correto de ocorrências registradas pelo crack não são confirmadas, porque as apreensões de drogas ou prisões são registradas como drogas em geral e não divididas em categorias.
Luiz Ricardo Duarte, diretor de Segurança Cidadã da Secretaria de Segurança Pública de Santa Catarina, ressalta que os números não podem ser contabilizados corretamente. “A SSP não tem esses dados, é difícil de saber também, porque muitas vezes em uma apreensão o policial que atende coloca apenas que o motivo foi a droga e não especifica qual”.
Duarte ressalta que há épocas em que a polícia realiza mais abordagens e aumenta o monitoramento e controle em determinadas regiões e, consequentemente, o número de apreensões. “Em Florianópolis, a temporada do verão exige um monitoramento maior, devido à grande circulação de moradores e turistas nas praias e centro da Capital”.