Um estudo da Fiocruz mostra que 62,9% das mulheres
usuárias de crack pesquisadas não utilizam preservativo. Cerca de 30% delas se
prostituem em troca de sexo. O resultado desse comportamento é o aumento das
doenças sexualmente transmissíveis e também da gravidez não planejada.
Em Belo Horizonte, as mulheres, mesmo grávidas,
continuam usando a droga nas cracolândias. Em muitos casos, a justiça precisa
intervir e as crianças são levadas para a adoção. O Jornal Hoje registrou
alguns flagrantes.
Imagens mostram uma mulher fumando crack várias
vezes. Ela conta que está grávida de oito meses de um menino e que não é o
primeiro filho. Ela já tem uma menina de 12 anos. (Em breve, assista aqui a
reportagem completa)
As mulheres grávidas moram nas praças de Belo
Horizonte. Não têm ninguém para cuidar da saúde e dos bebês. A gravidez é
considerada de alto risco, porque o efeito da droga aumenta a chance de infarto
e de hemorragia. Nas cracolândias, as mulheres muitas vezes se prostituem e não
previnem a gravidez.
O uso de drogas está entre os principais motivos
para a entrega de crianças à adoção. Só em Belo Horizonte, todo mês cerca de 40
filhos de usuárias de crack são abandonados nas maternidades ou tirados da
família pela justiça. São quase 500 bebês por ano. As crianças acabam sendo
criadas por parentes ou adotadas.
O Jornal Hoje encontrou na cracolândia Juliana, de
34 anos, grávida do décimo filho. Ela ainda era usuária de crack. Um mês
depois, a mulher estava em casa, com o filho nos braços, amamentando. Otílio
nasceu com quase três quilos. “É muito especial a gente ter o leite limpinho
para dar para o filho”, diz.
Juliana está longe da droga e quer evitar novas
gestações. “Vou fazer laqueadura ou vasectomia do meu companheiro. Vou tentar
pelo SUS”, conta.
O Sistema Único de Saúde oferece métodos
contraceptivos, mas é difícil convencer as dependentes químicas a se proteger.
“A maioria deles tem vários filhos e a gente tenta intervir da melhor maneira
possível, com uso de anticoncepcionais injetáveis, que têm um período maior de
duração. Quando a gente consegue manter esse acompanhamento, a gente avalia a
possibilidade da esterilização cirúrgica, que é a laqueadura tubária, e algumas
vezes o uso do DIU ou anticoncepcionais”, fala uma médica obstetra.
Juliana só pensa no futuro ao lado do filho que
nasceu e dos outros que foram tirados pela justiça. “É muito gostoso saber que
ninguém vai me tirar esse menino, porque deixei o cachimbo de crack e o vício”.
Sobre reconquistar os outros filhos, Juliana já tem a fórmula. “Cuidar de mim.
Porque se eu não cuidar de mim e não me amar, eu não posso amar eles. O crack é
um mundo obscuro”.
Fonte: Jornal Hoje