O estouro de um laboratório de ecstasy na Lagoa da Conceição, na noite de
terça-feira, revela que Florianópolis passa a ser produtora da droga e não
apenas referência de distribuição e consumo deste tipo de entorpecente no
Brasil. O primeiro local de fabricação desmobilizado foi nos Ingleses, no início
deste ano. Para a Polícia Federal, as quadrilhas estão deixando de importar os
comprimidos da Europa para produzi-los na Ilha, em grande escala.
A
quadrilha formada por jovens de classe média e estudantes da Universidade
Federal de SC, presa em flagrante por 11 policiais do Batalhão de Operações
Policiais Especiais (Bope), é um exemplo de produção e venda por atacado,
segundo a PM. No total, foram apreendidos com eles 33 mil comprimidos de
ecstasy, que renderiam pelo menos R$ 1,6 milhão.
Apontado como cabeça do
bando, o estudante Pablo Baumgarten, 23, confessou que aprendeu a fórmula do
ecstasy com um traficante de uma favela de São Paulo, há cinco anos, conforme a
PM.
– Ele comprou os equipamentos para fazer a mistura, além da
matéria-prima. Fez vários testes até acertar o ponto – disse o policial do Bope
responsável pela prisão, capitão Daniel Nunes.
O laboratório foi montado
numa edícula nos fundos da casa de Pablo, no Canto dos Araçás, na Lagoa. Na
residência, a polícia apreendeu 30 mil comprimidos de ecstasy, um quilo de
haxixe, R$ 3.1 mil, 24 munições calibre .38, 28 gramas de maconha, uma prensa,
50 quilos de matéria-prima para a fabricação das pastilhas, duas balanças e o
passaporte do suposto chefe da quadrilha com registro de uma viagem à Amsterdã,
há um mês. A cidade é um dos principais exportadores de ecstasy do
mundo.
Para a PM, Pablo era um atacadista da droga e a distribuía para
traficantes menores, que revendiam em festas raves e dentro da UFSC. A quadrilha
foi desmantelada a partir de uma denúncia anônima, feita há 40 dias. Desde
então, o grupo é monitorado. Até que chegou a informação de que Pablo e Eduardo
Flores Santini, 24, fariam uma entrega no Bairro Pantanal, onde acabaram
detidos.
Fonte:Gabriela Rovai, Diário Catarinense