quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Crack: não há distinções de classe social


 “Oi, moça, bom dia! Meu nome é Felipe Porto, eu tenho 33 anos, e estou vendendo livros. Eu trabalho na empresa da minha mãe, o ‘Lar das Carmelitas’, que é uma instituição que cuida de criancinhas abandonadas em Santa Maria. Estou em Florianópolis vendendo esses livros que são publicados pela editora da minha mãe para ajudar a instituição e também conseguir dinheiro para o tratamento do meu irmão, que é dependente e usuário de crack. A instituição tem uma filial aqui em Florianópolis. Você quer me ajudar comprando um livro? Tenho obras de vários assuntos e com preços variados.”
É com essa conversa que Felipe aborda as pessoas no Terminal Rodoviário Rita Maria, no centro de Florianópolis. A conversa sobre conseguir dinheiro para ajudar o irmão drogado é só uma desculpa. O drogado na história é ele mesmo. E o dinheiro para conseguir ajudar no tratamento é apenas para ele manter o vício do crack. Assim como a maioria dos usuários que frequentam o Cras, Felipe passa o dia na instituição se alimentando e descansando. Quando o horário no local termina, ele vai vender os livros.
Olhando para Felipe Porto, nem se percebe que ele é morador de rua. Bem apresentado e com ótima oratória, ele é formado em Economia e é ex-professor de Matemática. ‘Ex’ mesmo, pois o vício não permitiu que ele continuasse a lecionar. Felipe é natural de Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Deixou os pais, a mulher, as duas filhas gêmeas e alunos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) para morar em Florianópolis e tentar uma vida melhor, com mais liberdade para fazer as coisas rotineiras, inclusive manter o vício da cocaína.

*Trecho tirado do Trabalho de Conclusão de Curso das acadêmicas Luana Pacheco e Daniela Walzburiech.