“Oi, moça, bom dia! Meu nome é Felipe Porto,
eu tenho 33 anos, e estou vendendo livros. Eu trabalho na empresa da minha mãe,
o ‘Lar das Carmelitas’, que é uma instituição que cuida de criancinhas
abandonadas em Santa Maria. Estou em Florianópolis vendendo esses livros que
são publicados pela editora da minha mãe para ajudar a instituição e também
conseguir dinheiro para o tratamento do meu irmão, que é dependente e usuário
de crack. A instituição tem uma filial aqui em Florianópolis. Você quer me
ajudar comprando um livro? Tenho obras de vários assuntos e com preços
variados.”
É com essa conversa que
Felipe aborda as pessoas no Terminal Rodoviário Rita Maria, no centro de
Florianópolis. A conversa sobre conseguir dinheiro para ajudar o irmão drogado
é só uma desculpa. O drogado na história é ele mesmo. E o dinheiro para
conseguir ajudar no tratamento é apenas para ele manter o vício do crack. Assim
como a maioria dos usuários que frequentam o Cras, Felipe passa o dia na
instituição se alimentando e descansando. Quando o horário no local termina,
ele vai vender os livros.
Olhando para Felipe
Porto, nem se percebe que ele é morador de rua. Bem apresentado e com ótima oratória,
ele é formado em Economia e é ex-professor de Matemática. ‘Ex’ mesmo, pois o
vício não permitiu que ele continuasse a lecionar. Felipe é natural de Santa
Maria, no Rio Grande do Sul. Deixou os pais, a mulher, as duas filhas gêmeas e
alunos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) para morar em
Florianópolis e tentar uma vida melhor, com mais liberdade para fazer as coisas
rotineiras, inclusive manter o vício da cocaína.
*Trecho tirado do Trabalho de Conclusão de Curso das acadêmicas Luana Pacheco e Daniela Walzburiech.