Florianópolis. 23 de
novembro. 17h. O cenário em especial é o Largo da Alfândega, no centro. A
rotina diária era cumprida pelo pessoal das barraquinhas, com movimento intenso
no final da tarde da penúltima sexta-feira do mês de novembro.
Longe dos pedestres e
também da muvuca do comércio de frutas, doces e outros alimentos, um grupo de
cinco homens chamavam a atenção: um deles deitado e com um cobertor enrolado
nas costas, outro em pé e os outros três sentados no banco.
As pessoas em questão
são moradores de rua e usuários de crack também. A conversa parece animada,
pois altas gargalhadas logo são ouvidas e chamam a atenção dos transeuntes que
passavam próximo ao local. Além de ficarem em grupo, outra coisa chama a
atenção: eles fumam cigarro e bebem algum tipo de destilado.
A chuva que começou a
cair de fininho, logo engrossou e os cinco homens juntaram os pertences
enrolados em sacos de lixo e foram à procura de um local para se abrigar.
Correram até o Terminal Cidade de Florianópolis e lá encontraram mais pessoas,
que também fumavam e falavam alto. Quem esperava o transporte público no local,
tentava desviar deles. Oito homens em um
grupo conversando, uma mulher grávida deitada no chão entre dois cachorros e
outro grupo com homens e mais duas mulheres, grávidas também. Esse era o
cenário do terminal na noite de sexta-feira (23).
Uma ação pouco incomum
no meio de tantas pessoas foi observada: um homem de dread nos cabelos tinha nas mãos um saco plástico com pedras
brancas, meio amareladinhas, o crack. Pegou uma delas, colocou dentro de uma
lata de cerveja e logo acendeu. Naquela hora, o crack estava pronto para ser
consumido. A latinha passa de mão em mão e todos os presentes cheiram o
conteúdo do objeto. “Passa a bola, passa a bola” falam entre eles.
Após algum tempo
cheirando o conteúdo, as ações e atitudes tornaram-se mais intensas. Tudo o que
eles fazem, torna-se mais intenso.
Um usuário de camiseta
vermelha percebe que estão sendo filmados, grita: “Estamos sendo filmados”, e
sai correndo na direção da câmera, mas logo volta, porque outro usuário pede
que ele pare e volte: “Relaxa aí, mano, é só um filme, não podem fazer nada,
senta aí e vamos dar mais um trago”.
Então o homem retornou
ao local em que estava e voltou a usa a droga. Gritos, algazarras, brincadeiras
deixaram curiosas e ao mesmo tempo apreensivas as pessoas que passavam no
local.
Segundo Fernando José
dos Santos, cobrador da empresa de ônibus Transol, os usuários sempre fumam
dentro do terminal. “A gente sempre chama a polícia e quando ela chega, eles
saem, mas logo retornam aos mesmos bancos. As autoridades devem fazer alguma
coisa em relação a isto”, suplica.